Açores e Estados Unidos vão estudar impacto da Base na saúde da população

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Base das Lajes

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A Escola Superior de Saúde, nos Açores, e a Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos da América, vão estudar o impacto da Base das Lajes na saúde da população.
 

 

"Temos a perfeita noção que a tarefa é árdua, de que o projeto será eventualmente longo, mas esperamos no próximo ano ter alguns dados para apresentar", afirmou Norberto Messias, docente no Departamento de Enfermagem de Saúde Mental e Gerontologia, do polo de Angra do Heroismo da Escola Superior de Saúde, na conferência de imprensa para apresentação do projeto, na Câmara Municipal da Praia da Vitória, na ilha Terceira.

Denominado "Bridging the Atlantic - Estudo do Impacto da Base das Lajes na Saúde da Comunidade", o projeto, com financiamento norte americano, vai envolver vários alunos e docentes de enfermagem da Terceira e Massachusetts [Campus de Dartmouth].

Norberto Messias, enfermeiro e um dos impulsionadores do projeto, explicou que, numa primeira fase, a metodologia de trabalho passa pela recolha de dados oncológicos e morbilidade no concelho da Praia e posterior análise dos mesmos, para em seguida delinear uma metodologia de acompanhamento de novos casos de doenças pré-sinalizadas, como cancros, leucemias e doenças cardiovasculares.

"Existem indicadores de que há mais paragens cardiovasculares na freguesia das Lajes [concelho da Praia da Vitória] do que no resto do arquipélago", referiu Norberto Messias, alegando que "os dados já conhecidos justificam o projeto, para se perceber as causas".

Norberto Messias adiantou que o grupo de professores e estudantes universitários norte americanos, que já estão na Terceira, tiveram oportunidade de reunir com antigos funcionários da Base das Lajes, falar com o professor Eduardo Dias, da Universidade dos Açores, sobre alguns impactos biológicos pela existência da infraestrutura militar, entre outras entidades.

Na sequência do anúncio de redução da presença militar norte-americana na base das Lajes, o Governo dos Açores apresentou, em 2015, o Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira, em que reivindicava uma compensação dos Estados Unidos da América (EUA) na ordem dos 167 milhões de euros anuais, durante 15 anos, dos quais 100 milhões se destinavam a "reconversão e limpeza ambiental".

Recentemente, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse que essa compensação valia "zero", tendo depois afirmado que a descontaminação ambiental continuaria em cima da mesa nas negociações com os EUA.

Hoje, no parlamento, o presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, reiterou que "é responsabilidade, em primeiro lugar, dos Estados Unidos limpar o passivo ambiental que deriva da presença de forças militares norte-americanas na ilha Terceira", explicando que "há estudos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, que tem feito a monitorização".

Para o presidente da Câmara da Praia da Vitória, Roberto Monteiro, este estudo é um projeto "arrojado", "bem-vindo", porque a população já o solicita há muito tempo e cujas conclusões devem servir para os responsáveis "tomarem medidas corretas".

"Não havendo estatísticas absolutas, nem efetivas de situações de doença e outras questões, há uma perceção de que a população do concelho da Praia é mais afetado com determinado tipo de doenças, mas nunca houve uma demonstração causa efeito", afirmou Roberto Monteiro, acrescentando que "é muito sério o que está aqui em causa".