Açores contra "tentativa" europeia de "liberalização dos direitos de plantação" de vinha

Açores contra "tentativa" europeia de "liberalização dos direitos de plantação" de vinha

 

Lusa/AO Online   Regional   21 de Nov de 2014, 14:27

O secretário regional da Agricultura dos Açores, Neto Viveiros, criticou hoje as opções europeias a nível das vinhas, condenando aquilo que considera ser uma "tentativa de liberalização dos direitos de plantação".

"O Governo dos Açores defende a proteção intransigente dos vinhos e vinhedos europeus, os seus 'terroirs' e simultaneamente as paisagens características e os empregos", afirmou Neto Viveiros, que discorda da intenção de permitir que anualmente seja autorizado 1% de área de vinha para novas plantações, quando só na campanha de 2011/2012 foram arrancados 165.000 hectares, com o apoio financeiro da União Europeia.

"Ora, entendemos que não faz sentido a Comissão, por um lado, estar a pagar o arranque e, por outro, a permitir a plantação de novas áreas", advertiu.

Neto Viveiros falava na Horta, ilha do Faial, na sessão de abertura da reunião do Bureau Internacional da Assembleia das Regiões Europeias Vitícolas (AREV), que pela primeira vez se realiza nos Açores.

O governante manifestou também o seu desacordo relativamente às alterações previstas em matéria de Denominações de Origem dos vinhos europeus, que até agora têm sido utilizadas para "proteger" os vinhos e as regiões de produção, como "fator de identidade e valorização".

"A rotulagem dos vinhos não pode desvirtuar as informações a que o consumidor está habituado e, portanto, é de toda a importância que os vinhos continuem a usar as menções habituais, sob pena de - imperando algumas propostas - estarmos a vender vinhos sem rosto e sem identidade", sublinhou Neto Viveiros.

O secretário regional da Agricultura referiu-se também às negociações com vista a um acordo de comércio livre entre a União Europeia e os Estados Unidos, para dizer que as "normas europeias devem ser acauteladas" no que diz respeito ao setor vitivinícola.

"Pretendemos garantir o respeito pelas práticas enológicas reconhecidas pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), para o conjunto dos vinhos exportados para o mercado europeu e a isenção do certificado de aprovação do rótulo (COLA) para os vinhos europeus", insistiu.

Nos Açores, produz-se anualmente cerca de 250 mil litros de vinhos certificados, apenas em três ilhas (Pico, Graciosa e Terceira), onde estão concentrados 14 produtores de um total de 27 marcas diferentes.

Neto Viveiros lembrou que "não é fácil" produzir vinho nos Açores, devido à pequena dimensão e dispersão das parcelas de vinha, bem como à dificuldade de acesso às mesmas, e o seu sistema artesanal da cultura, mas entende que, ainda assim, será possível alargar a produção de vinho às ilhas São Miguel e Santa Maria.


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