Açores contam milhafres para avaliar estado da população desta ave

Açores contam milhafres para avaliar estado da população desta ave

 

AO/Lusa   Regional   11 de Mar de 2017, 10:44

O Censo dos Milhafres, que se realiza uma vez por ano, decorre nos dias 25 e 26 nos Açores, para avaliar o estado da população da única ave de rapina diurna que nidifica no arquipélago, foi hoje anunciado.

 

Segundo a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), que promove a iniciativa, o censo anual realiza-se todos os anos desde 2006 e pretende mobilizar dezenas de voluntários para recolher dados sobre os avistamentos de milhafres, também conhecidos nos Açores como Queimados.

Ruben Coelho, técnico da SPEA, disse à agência Lusa que "nos Açores a população de milhafres tem estado estável e até com pequenos aumentos na maioria das ilhas, reflexo também dos resultados obtidos nos censos".

"Há cada vez mais voluntários", assim como mais território das ilhas coberto pela contagem, nomeadamente em Santa Maria, São Jorge e Pico, adiantou Ruben Coelho, notando, contudo, que no arquipélago da Madeira a situação é inversa.

De acordo com o responsável, "na Madeira há cada vez menos voluntários e daí menos milhafres contados", sublinhando serem "muito gratificantes" os resultados obtidos nos Açores ao longo destes 11 anos de censo a esta espécie.

As aves, com uma envergadura entre 110 e 130 centímetros, podem ser vistas sozinhas ou em grupo, a voar, pairar, pousadas no solo ou, muito frequentemente, em cima de muros, postes e nos seus poisos de caça, refere a SPEA.

"A espécie pode ser observada um pouco por todo o lado", de acordo com a SPEA, indicando que é possível, igualmente, observar milhafres em zonas florestais, costeiras e urbanas ou pastagens.

Segundo a associação, "esta espécie alimenta-se maioritariamente de roedores, mas pode consumir também pequenas aves, insetos e minhocas, mas o envenenamento e a eletrocussão em linhas elétricas são as principais ameaças que afetam a espécie, além da captura/abate ilegal".

Dados da SPEA indicam que nas anteriores 11 edições do censo estiveram envolvidos 1.030 voluntários que avistaram 5.676 aves nos Açores em 921 percursos realizados, possibilitando a estimativa das densidades por ilha desta espécie.

Em 2016 as ilhas dos Açores com maior número de milhafres avistados por quilómetro percorrido foram Graciosa, Terceira e São Miguel.

No fim de semana seguinte irá decorrer um censo semelhante no arquipélago da Madeira, onde a espécie é, por sua vez, conhecida como manta.

Em termos taxonómicos, no arquipélago dos Açores ocorre a subespécie 'Buteo buteo rothschildi', enquanto no arquipélago da Madeira a subespécie que existe é a 'Buteo buteo harterti'. No território continental ocorre a subespécie 'Buteo buteo buteo', acrescenta um comunicado da SPEA.

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