Açores com mais de 200 casos de leptospirose e duas mortes numa década

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Agua Retorta

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Os Açores registaram entre 2005 e 2015 um total de 229 casos de leptospirose de que resultaram duas mortes.
 

Informação da Secretaria Regional da Saúde indica que ocorreram na região duas mortes por leptospirose, doença provocada por uma bactéria presente na urina dos ratos, uma na ilha do Pico em 2006 e outra no Faial em 2014.

São Miguel, a maior ilha do arquipélago, foi a que registou mais casos neste período, com 193 notificações da doença, seguindo-se a Terceira, com 29 doentes.

Ao invés, a ilha de São Jorge apenas registou um caso com leptospirose entre 2005 e 2015, segundo a mesma fonte.

A coordenadora regional de Saúde Pública, Ana Rita Eusébio, afirmou à agência Lusa que os Açores, à semelhança do continente, implementou desde 01 de julho de 2014 um novo sistema de vigilância epidemiológica que passa a registar informaticamente as notificações e, posteriormente, a sua validação.

"Até 01 de julho de 2014, o sistema das doenças de declaração obrigatória em Portugal continental e na Região Autónoma dos Açores era uma notificação em papel e essa notificação seguia por correio para as autoridades de saúde que faziam um inquérito epidemiológico e só depois era feita a validação da notificação", explicou Ana Rita Eusébio, salientando que por esse facto muitas vezes perdiam-se dados.

A responsável de Saúde Pública sublinhou que o novo procedimento tornou o sistema "completamente transparente a partir da notificação", pelo que considerou não ser possível concluir pela existência de uma tendência crescente neste tipo de doença na região.

"Houve uma sensibilização da importância e obrigatoriedade da notificação destas doenças, e passámos a ter um sistema mais amigo do utilizador e os médicos passaram a notificar mais", justificou, referindo que a comunidade em geral, incluindo os grupos profissionais de risco, também estão mais sensibilizados para os sintomas da leptospirose e para os cuidados a ter para evitar a patologia.

A incidência da leptospirose é, essencialmente, nos homens que trabalham na agricultura, sendo que as autoridades de saúde alertam para a possibilidade de a bactéria existir em maior número em lixeiras e locais com rações.

Nos Açores existe uma Comissão de Gestão Integrada de Pragas--Roedores (CGIP-R) que desenvolve medidas que visam a sensibilização sobre a doença.

O coordenador da comissão, Carlos Santos, adiantou à Lusa que a CGIP-R apresentou em janeiro uma proposta de decreto legislativo regional para alterar a legislação nesta matéria no sentido de promover "uma maior eficácia em termos de fiscalização e, consequentemente, um maior cumprimento das normas definidas".

Carlos Santos adiantou que, tendo em conta que a infeção ocorre por contacto com secreções ou tecido de animais infetados ou exposição a ambientes/materiais contaminados, "é natural que a maior parte dos casos ocorra, e vá continuar a ocorrer, em pessoas que contactam com os animais e a terra ou outros ambientes frequentados por estes em atividades profissionais ou de lazer".