Açores apelam a nova atitude da Comissão Europeia em relação ao leite

Açores apelam a nova atitude da Comissão Europeia em relação ao leite

 

Lusa/AO online   Regional   17 de Mai de 2016, 17:43

O presidente do Governo Regional dos Açores considerou que a aposta da indústria dos laticínios em produtos de valor acrescentado deve servir de exemplo para incentivar a Comissão Europeia a ter outra postura em relação ao setor.

"Deve chegar a Bruxelas, no sentido de, talvez de forma mais coloquial, picar as instituições europeias para uma atuação mais atenta, mais acertada em relação ao setor do leite a nível europeu", frisou Vasco Cordeiro, numa sessão de apresentação de uma nova linha de leite da marca Terra Nostra.

Segundo Vasco Cordeiro, a nova linha, que aposta num leite de pastagem certificado, demonstra à Comissão Europeia que não é por causa dos produtores de leite, nem da indústria, que o setor atravessa um momento difícil.

"Nós não temos efetivamente a raiz do nosso problema na questão da produção, mas temo-lo ao nível do escoamento, ao nível da comercialização, ao nível da exportação, ao nível do mercado. E o que é que a União Europeia faz? Em vez de apostar aí, encaminha-se para a retração da produção", criticou.

Também o secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Vieira, defendeu que a União Europeia tem de adotar uma postura "mais solidária" com os produtores europeus, porque "não é de um momento para o outro" que se encontram novos mercados para escoar o leite.

"É necessário tomar um conjunto de medidas que levem à contenção da produção, no sentido de podermos equilibrar temporariamente estes mercados, mas para que efetivamente haja essa contenção na produção é necessário que a União Europeia tenha uma postura mais solidária para os agricultores europeus. As medidas que tem tomado são medidas pontuais que não resolveram o problema de fundo", frisou.

A empresa Bel lançou hoje a linha Leite de Pastagem, com base em leite de explorações agrícolas certificadas, cujas vacas são obrigadas a estar 80% do dia ao ar livre a comer erva fresca, apesar de consumirem também complementos nutricionais.

A nova linha representou um investimento cinco milhões de euros e a Bel estima investir dez milhões de euros até 2018, incluindo também a campanha de divulgação.

Dos 450 produtores que fornecem leite à empresa, apenas 34 estão certificados atualmente, o que equivale a 26 milhões de litros por ano, mas, segundo Ana Cláudia Sá, diretora da Bel Portugal, a linha tem capacidade para chegar aos 40 milhões de litros por ano.

Para o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, é preciso diferenciar o produto para alavancar os preços dos derivados do leite nos Açores.

"Esse é o caminho que tem de se percorrer na Região Autónoma dos Açores, que é a diferenciação, e produzir com uma imagem de marca, que é Marca Açores, mas essencialmente o verde das nossas pastagens e o bem-estar dos nossos animais", frisou.

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