Açores adotam "medidas cautelares" após inverno mais seco de que há registo

Açores adotam "medidas cautelares" após inverno mais seco de que há registo

 

Lusa/AO Online   Regional   24 de Abr de 2015, 15:20

O Governo dos Açores anunciou hoje a adoção de "medidas cautelares" a nível da gestão da água, após o último inverno ter sido o mais seco no arquipélago desde 1948, quando começou a haver registos.

Segundo o secretário regional da Agricultura e Ambiente, Neto Viveiros, as medidas em causa passam, por exemplo, pela sensibilização da população em geral e dos agricultores em particular para a necessidade de um consumo racional da água e pela definição de "patamares de segurança" nos níveis dos reservatórios a que correspondem medidas específicas de atuação quando são atingidos.

Em colaboração com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) será ainda feito um "acompanhamento mais próximo e uma comunicação das previsões [meteorológicas] a cada dez dias ao IROA [Instituto Regional do Ordenamento Agrário], que, por sua vez, partilhará" essa informação com outras entidades.

O objetivo é "monitorizar a cada semana aquilo que vai acontecer nos dez dias seguintes" e, perante essas "previsões consistentes", será possível, "a cada momento, definir medidas adicionais, se for necessário", explicou Neto Viveiros, no final de uma reunião em Ponta Delgada que juntou todas as entidades que vão participar neste processo.

Reuniram-se com o secretário regional responsáveis do IROA, do IPMA, da Universidade dos Açores, da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos dos Açores (ERSARA), da Federação Agrícola dos Açores e da Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores (AMRAA).

Diamantino Henriques, do IPMA, disse aos jornalistas que, "de uma maneira global", o último inverno nos Açores foi "o mais seco desde que há registo", ou seja, desde 1948, havendo três ilhas mais afetadas pela baixa pluviosidade: Santa Maria, São Miguel e Terceira.

O meteorologista disse que esta é uma "situação invulgar" e que não é possível fazer previsões consistentes para os Açores a mais de dez dias, não se sabendo como será a primavera e o verão no arquipélago.

Segundo o secretário regional da Agricultura e Ambiente, os níveis atuais dos reservatórios e lagoas artificiais de São Miguel e Terceira não são "dramáticos", mas são "preocupantes”, daí a decisão de avançar com medidas e "cautelas" para a situação não se agravar e preparar respostas para outros cenários, de forma a evitar efeitos "muito mais graves" e garantir, por exemplo, o abastecimento regular às explorações agrícolas durante todo o verão.

O presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, disse que a escassez de água "pode ser uma grande preocupação" para o setor nos próximos meses e considerou "muito importante" a reunião de hoje, reforçando a necessidade de haver uma sensibilização da opinião pública e dos lavradores no sentido de uma racionalização do consumo de água.

Jorge Rita revelou que o inverno nos Açores resultou, até agora, em níveis de produção "excelente" a nível de erva para o gado, de leite e de outros produtos, dado que à humidade habitual das ilhas se somou este ano o sol. Os problemas poderão surgir agora, nos próximos meses, dados os "níveis muito baixos" em que estão as nascentes de água, acrescentou.


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