Acordo União Europeia/Canadá pode beneficiar exportações portuguesas

Acordo União Europeia/Canadá pode beneficiar exportações portuguesas

 

Lusa/Açoriano Oriental   Economia   15 de Dez de 2016, 16:41

O Acordo Económico entre a União Europeia e o Canadá (CETA) pode beneficiar as exportações portuguesas para aquele país, não só dos setores tradicionais, mas também de novas áreas, disse o secretário de Estado e Adjunto do Comércio.

 Paulo Alexandre Ferreira disse hoje aos jornalistas, à margem de uma sessão sobre o CETA, promovida pela Câmara de Comércio e Indústria do Centro (CEC), em Coimbra, esperar que este protocolo reforce não só “a capacidade de penetração dos setores mais tradicionais” portugueses no Canadá, mas que também “abra portas para as coisas novas” que estão a ser feitas no nosso país.

Portugal tem “capacidade de inovação, tem capacidade de apresentar bens e serviços em áreas de ponta” e isso torna-o mais competitivo “também no mercado canadiano”, sustentou.

A balança comercial entre os dois países registou em 2015 um resultado favorável a Portugal de cerca de 300 milhões de euros, um valor que é “relativamente baixo, mas que tem tido uma evolução muito positiva em termos de crescimento desse saldo”, sublinhou Paulo Alexandre Ferreira.

Esse crescimento aponta “o caminho que tem de continuar a ser trilhado” e que “pode beneficiar do acordo entre a União Europeia e o Canadá”, defendeu o secretário de Estado, considerando que ele “abre portas para a economia portuguesa”.

Durante a sessão, Paulo Alexandre Ferreira alertou para o importante papel que a comunidade portuguesa no Canadá tem tido e deverá ter nas relações comerciais de Portugal com aquele país.

Os portugueses e lusodescendentes que vivem no Canadá já constituem “uma porta de entrada e de difusão” dos produtos portugueses naquele país e a entrada em funcionamento do CETA “também vai incrementar”, por esta via, as exportações portuguesas para lá, “beneficiando não só as empresas, mas também Portugal como um todo”.

O CETA deverá “entrar provisoriamente em funcionamento no início do próximo ano”, após a sua ratificação pelo Parlamento Europeu e, por outro lado, por “cada Estado-membro [da União Europeia], em relação às competências próprias de cada país”, processo que deverá “demorar ainda algum tempo”.

Mas a entrada em vigor provisória do CETA “já representa muito daquilo que é o cerne do acordo e significa, desde já, um potencial de negócio na parte que diz respeito à abolição das barreiras aduaneiras para as empresas portuguesas”, salientou o secretário de Estado.

“O mercado canadiano no contexto do comércio internacional da região Centro tem uma baixa expressão”, reconheceu, durante a sua intervenção, o presidente do CEC, José Couto.

As empresas exportadoras desta zona do país, para “as quais o Canadá foi um dos 10 principais mercados de exportação, representam cerca de 06%, o que significa 01% do total das exportações do Centro”, disse José Couto.

“Mesmo assim”, sublinhou, aquela percentagem representa “mais do que [a média] total do país” e é de “assinalar que se tem verificado um aumento da procura de produtos endógenos da Região”.

O CETA “precisa de ser assimilado pelas empresas e seus dirigentes”, alertou José Couto, considerando que o acordo tem “vantagens e oportunidades, desvantagens e ameaças”, sendo útil, por isso, “antecipar o conhecimento para colmatar fragilidades, para procurar ultrapassar as dificuldades”, que se levantam “quando se pretende penetrar num mercado exigente e que obrigará as empresas a mostrarem o seu melhor”.

A entrada no mercado canadiano “exigirá antecipar investimentos, estabelecer parcerias e planear ações comerciais, como sempre, procurar um nível de competitividade adequado”, sustentou José Couto.

A sessão de hoje, no Convento São Francisco, em Coimbra, visou essencialmente divulgar e debater o acordo, sendo a primeira de uma série de reuniões de um processo que “será continuado pelas 46 associadas do CEC, que “representam cerca de 40.000 empresas”.

Além de várias dezenas de empresários, dirigentes de associações empresariais e autarcas, no encontro também participaram a vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Rosa Reis Marques, a chefe da representação em Portugal da Comissão Europeia, responsáveis do IAPMEI e do AICEP e o embaixador do Canadá em Portugal, Jeffrey Marder, que destacou, designadamente, o facto de esta ser “a primeira iniciativa dedicada exclusivamente dedicada ao CETA” promovida por entidades portuguesas.

Sublinhando que o protocolo “vai além da eliminação de tarifas e taxas”, Jeffrey Marder disse que o comércio entre a União Europeia e o Canadá vai registar “um crescimento que pode representar mais de 11 milhões de euros [anuais] para a União Europeia”.

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