Acordo de Paris traz novos negócios mas é necessária ciência

Ciência /
Relatório Planeta Vivo evidencia a diminuição da biodiversidade em todo o Planeta

532 visualizações   

A visão de longo prazo do Acordo de Paris, contra as alterações climáticas, permite muitas oportunidades de negócio, mas as empresas precisam da investigação científica, e Portugal está "muito atento" a isso, defendeu uma investigadora.
 

 

"O mercado percebe que, com uma visão de longo prazo, como aquela que o Acordo de Paris dá, tem muitas oportunidades em variadíssimas áreas", disse à agência Lusa a investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova, Júlia Seixas, que também é coordenadora da iniciativa europeia Climate KIC em Portugal.

Mas, o conjunto das empresas sabe que "vai precisar da investigação, se quer inovar de forma rápida e competitiva, com os parceiros europeus e até a nível global", apontou.

O Acordo de Paris, em vigor desde 04 de novembro, pretende limitar o aquecimento do planeta a um máximo de dois graus Celsius em relação à era pré-industrial, o que exige a redução das emissões de gases com efeito de estufa, sendo decisiva a aposta numa economia de baixo carbono.

A iniciativa KIC (Knowledge Innovation Communities ou comunidades para o conhecimento e inovação), que agora chega a Portugal na vertente destinada ao clima, foi criada em 2010 para funcionar como complemento do investimento da Comissão Europeia em investigação e aposta em parcerias público-privadas a envolver a formação avançada, a investigaçao e o mercado, ou seja, as empresas.

"Portugal está muito atento e com grande apetência" para a inovação nesta área, referiu Júlia Seixas, opinião que baseia no facto de, numa das ações promovidas pelo Climate KIC, para alguns países, Portugal ter sido responsável por 85% do total das candidaturas.

Segundo a especialista, no sistema científico nacional "tem vindo a crescer a consciência muito apurada de que a investigação, cada vez mais, tem de estar muito perto do impacto real no mercado e na sociedade e, portanto, também tem de ter acesso a esta interface" com as empresas.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou na conferência das Nações Unidas para o clima, que se realizou de 07 a 18 deste mês, em Marraquexe, o obejtivo de Portugal ser uma economia neutra em carbono, em 2050.

Uma economia neutra em carbono, explicou a investigadora, significa que a esmagadora maioria dos processos produtivos que sustentam a economia têm que sofrer um processo acelerado de inovação.

Este processo será realizado ou com a substituição de produtos ou com a alteração da forma de produção sempre com o objetivo de reduzir ou, se possível, eliminar por completo, a emissão de gases com efeito de estufa.

"Acho que o primeiro passo já foi dado, foi uma visão e uma afirmação de política", disse.

Na vertente da economia, "devemos olhar para este desafio, de transformar os processos de produção económica de bens e serviços para uma economia sem emissões, como uma oportunidade para melhorar a eficiência, sendo uma oportunidade de negócio, para as empresas que já existem e para aquelas que vão aparecer", resumiu Júlia Seixas.

A iniciativa Climate KIC Portugal vai ser apresenta na terça-feira, em Lisboa.