Acervo de pioneiro da arqueologia nos Açores com acesso público

Acervo de pioneiro da arqueologia nos Açores com acesso público

 

AO/Lusa   Regional   24 de Jul de 2016, 14:56

O acervo de Manuel de Sousa d'Oliveira, pioneiro da arqueologia nos Açores, foi reunido por uma fundação com o seu nome, estando ao dispor do público e especialistas do setor num edifício em Ponta Delgada.

 

"Manuel de Sousa d'Oliveira foi quem introduziu a arqueologia científica na região. Ainda antes da Universidade dos Açores se ter dedicado a esta atividade, procedeu durante 18 anos a escavações em Vila Franca do Campo (São Miguel), concelho que foi soterrado em 1522 por um sismo e constitui uma mina para os arqueólogos", declarou à agência Lusa o presidente do conselho de administração da Fundação Sousa d'Oliveira, o advogado Carlos Melo Bento.

De acordo com Élvio Sousa, investigador e arqueólogo do Centro de História de Além-Mar da Universidade Nova de Lisboa, as primeiras investigações arqueológicas no arquipélago açoriano foram desenvolvidas por Manuel de Sousa d'Oliveira (1916-2001) nos anos 60 do século XX.

O trabalho que desenvolveu é considerado por Élvio Sousa pioneiro para o estudo da arqueologia portuguesa, nomeadamente no capítulo que se dedica ao período do povoamento dos arquipélagos atlânticos.

O presidente da fundação, criada pelo próprio Manuel de Sousa d'Oliveira, que não teve descendentes, destacou o "vasto património cultural" do arqueólogo, apontando uma biblioteca com cerca de 30 mil volumes e a "maior recolha" de teatro popular dos Açores, a par de milhares de cartas resultantes da sua correspondência com figuras regionais e nacionais.

Melo Bento explicou que todo este legado, que foi reunido nos últimos anos, está agora concentrado num espaço criado para o efeito, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, que funciona como sede da fundação.

"Foi possível fazer uma sede com um espaço para expor a biblioteca e colocá-la à disposição de estudiosos e público, bem como outro para concentrar os materiais arqueológicos que recolheu em Vila Franca do Campo e estão parcialmente por classificar", disse o presidente da fundação.

Melo Bento adiantou que se pretende agora publicar a sua correspondência, bem como transformar a sua habitação, na freguesia dos Arrifes, concelho de Ponta Delgada, em casa-museu.

O presidente da fundação referiu, ainda, que a Associação de Arqueologia do Arquipélago dos Açores, que foi criada por Sousa d'Oliveira, visando congregar os profissionais que pretendam desenvolver atividade científica, vai funcionar igualmente na sede da fundação, localizada no Lajedo, freguesia de São José, na periferia da cidade de Ponta Delgada.


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