Abertura de congresso do ANC decisivo para o destino político de Mbeki na África do Sul


 

Lusa / AO online   Internacional   16 de Dez de 2007, 11:20

O Congresso Nacional Africano (ANC), no poder na África do Sul, iniciou hoje em Polokwane, na província do Limpopo (nordeste), um congresso decisivo de que depende o futuro político do chefe do Estado, Thabo Mbeki.
    "Camaradas, declaro oficialmente aberta a 52ª Conferência do Congresso Nacional Africano", declarou o director nacional do ANC, Mosiua Lekota.

    Os 4.075 delegados do partido, ultra-maioritário desde a queda do apartheid em 1994, devem escolher o presidente do partido para os próximos cinco anos, o que terá um impacto imediato no governo de um país de 48 milhões de habitantes.

    Eleito chefe do Estado em 1999, Mbeki dispõe ainda de dois anos de mandato à frente do país, mas pode perder toda a margem de manobra se o ANC, a que preside desde 1997, mudar de mãos.

    O populista Jacob Zuma, antítese do distante Mbeki, afirma dispor de 61 por cento dos votos dos delegados para a sua candidatura, sem contar com o apoio da Liga das mulheres e a dos jovens, apesar da ameaça de condenação por corrupção que sobre si pesa.

    Num palco montado na Universidade do Limpopo, os partidários de cada campo dançavam e cantavam slogans a favor do respectivo favorito enquanto aguardavam o discurso de abertura de Mbeki, ao ritmo ensurdecedor de assobios.

    Para Zuma, o congresso pode constituir uma vingança se for eleito, já que foi destituído pelo rival Mbeki da vice-presidência da República após a condenação por corrupção do seu conselheiro financeiro em 2005.

    Se elegerem Zuma, numa votação prevista para segunda-feira após as nomeações oficiais a anunciar hoje à noite, os delegados estarão a investi-lo quase infalivelmente como o próximo Presidente da República, a menos que o processo por corrupção venha interromper a ascensão do tribuno zulu.

    A Constituição impede Mbeki de se apresentar para um terceiro mandato em 2009.

    Certos observadores não afastam a possibilidade de eleições antecipadas, sobretudo se o presidente sofrer a pesada derrota anunciada.

    Fundado em 1912 por um grupo de advogados, jornalistas, professores e líderes negros, o Congresso Nacional Africano é hoje a principal força partidária na África do Sul.

    Criado para combater a segregação racial, teve o ex-presidente Nelson Mandela como o seu maior líder de sempre.

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