Aberto processo de classificação do quadro "O Almoço do Trolha" de Júlio Pomar

Aberto processo de classificação do quadro "O Almoço do Trolha" de Júlio Pomar

 

Lusa / AO online   Nacional   24 de Mai de 2015, 12:01

A Direção-Geral do Património Cultural abriu um processo de classificação do quadro "O Almoço do Trolha", de Júlio Pomar, que vai a leilão na quarta-feira, em Lisboa, disse à Lusa fonte da leiloeira.

 

De acordo com fonte do Palácio do Correio Velho, na quinta-feira, depois de ter sido anunciado o leilão de 23 obras de Júlio Pomar, entre elas a tela icónica do movimento Neorrealista português, a empresa recebeu uma notificação da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).

“O Almoço do Trolha”, uma das obras mais importantes do artista português, de 89 anos, foi exposta ainda inacabada em 1947, durante a prisão de Júlio Pomar no Forte de Caxias, tendo sido terminada em 1950.

O processo aberto pela DGPC pode demorar até um ano a estar concluído, mas de acordo com a Lei de Bases do Património Cultural, a partir do momento que se encontra em vias de classificação, a obra fica legalmente protegida, mas a venda continua a ser possível desde que se mantenha no país.

Sobre a venda, a mesma fonte do gabinete de comunicação do Palácio do Correio Velho considerou que a abertura do processo de classificação "não terá impacto negativo no leilão porque a obra interessa sobretudo ao mercado nacional".

O preço da obra está ainda sob consulta no sítio ‘online’ da leiloeira, o que significa que o Palácio do Correio Velho está ainda a ouvir os potenciais clientes interessados na obra.

O Estado poderá comprar a obra, exercendo o seu direito de preferência, mas contactada pela agência Lusa a DGPC escusou-se a fazer qualquer comentário sobre o interesse na licitação.

De acordo com o Palácio do Correio Velho, a segunda obra mais cara de Pomar que vai a leilão tem uma estimativa de 50 mil euros, mas "O Almoço do Trolha" - uma das mais representativas do movimento do Neorrealismo no país - poderá atingir as centenas de milhares de euros.

De acordo com a empresa, vão ser apresentados 565 lotes, neste Leilão de Antiguidades, Arte Moderna e Contemporânea, que tem início no dia 27 de maio às 19:30, e continua no dia 28.

Das 23 obras de Júlio Pomar, oito são originais e 15 são obras gráficas provenientes da coleção de Maria José Salvador e Manuel Torres, falecido este ano.

Manuel Torres foi, na década de 1950, um dos sócios fundadores da Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, por onde passaram dezenas de artistas, tornando-se, ao longo de meio século, uma das principais divulgadoras da arte moderna em Portugal.

Os artistas Artur Bual, José Cargaleiro, Columbano, Costa Pinheiro, Eduardo Viana, Escada, João Hogan, Julião Sarmento, Lima de Freitas, Nadir Afonso, Paula Rêgo e Sá Nogueira também vão estar representados, com obras, neste leilão.


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