60% das crianças portuguesas têm perfil numa rede social


 

Lusa/Ao On line   Nacional   21 de Out de 2010, 06:40

Quase 60 por cento das crianças e jovens portugueses têm um perfil numa rede social e destes 25 por cento têm-no sem restrições de acesso.

Este é um dos dados relativos a Portugal revelados por um inquérito realizado em 25 países europeus, hoje apresentado no Luxemburgo e que envolveu 23 mil crianças dos 9 aos 16 anos.

Este estudo, promovido pelo projeto EU Kids Online, visou determinar fatores de risco, como pornografia, bullying, mensagens de cariz sexual, contacto com desconhecidos, encontros offline com contactos online, conteúdo potencialmente nocivo gerado por utilizadores e abuso de dados pessoais.

Dos 58 por cento de crianças e jovens com perfil numa rede social, 34 por cento têm até 10 contactos e 25 por cento até 50 contactos.

Entre os jovens portugueses utilizadores de redes sociais, 25 por cento têm o perfil público, enquanto 7 por cento partilham a morada ou o número de telefone (estão entre os que menos o fazem em comparação com as outras crianças europeias).

Cristina Ponte, coordenadora nacional do projeto e professora de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa, explicou que esta é uma tendência europeia incontornável mas à qual os pais devem estar atentos, particularmente quando as crianças portuguesas são das que mais acedem à net nos seus quartos (67 por cento), isolados da vigilância dos adultos.

O estudo revelou ainda que entre as crianças e os jovens portugueses inquiridos, 4 por cento responderam já ter ido a encontros com pessoas que conheceram online e 15 por cento dizem manter contactos com essas pessoas, valores que estão, contudo, abaixo da média europeia, respetivamente 6 e 25 por cento.

A nível europeu, 29 por cento das crianças dos 9 a 16 anos que usam a Internet já comunicaram com alguém que não conheciam cara-a-cara e oito por cento encontrou-se offline com um contacto online no último ano.

O estudo revelou ainda que 22 por cento dos jovens dos 11 aos 16 anos que tiveram exposição a um ou mais tipos de contactos online falaram disso a alguém da última vez que aconteceu, 36 por cento disseram a um amigo, 18 por cento contaram ao pai ou à mãe e 24 por cento apenas deixaram de usar a Internet por uns tempos e mudaram as suas definições de filtros ou contactos.

O inquérito revela ainda que 9 por cento das crianças dos 11 aos 16 anos foram vítimas de usos indevidos dos seus dados pessoais – password (7 por cento), informação pessoal (5 por cento) e de fraudes monetárias (2 por cento).

Comparando os países, a exposição a um ou mais riscos inclui até dois terços das crianças na Estónia, Lituânia, República Checa e Suécia, enquanto Turquia, Portugal e Itália registam menor risco.

O EU Kids Online, um projeto que se destina a melhorar o conhecimento sobre as experiências e práticas de crianças e pais europeus em relação ao uso da Internet.

Os 25 países participantes no EU Kids Online são: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Lituânia, Noruega, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Roménia, Suécia e Turquia.


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