Grupo de cidadãos comemora "teimosamente" data em Ponta Delgada

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Comemorações do 25 Abril

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A associação promotora das comemorações do 25 de Abril de Ponta Delgada, defendeu hoje que os festejos pretendem celebrar "teimosamente" a data para "trazer à agenda um conjunto significativo de promessas, sonhos e ideais que não foram cumpridos".
 

 

“Há um grupo de cidadãos que teimosamente quer festejar novamente o 25 de Abril, mas acima de tudo quer que a este festejo esteja associada uma reflexão, uma perspetiva de uma certa esperança num Portugal melhor para já não falar num mundo melhor”, afirmou aos jornalistas Filipe Cordeiro, da associação.

Na apresentação do programa, que inclui um espetáculo musical nas Portas da Cidade de Ponta Delgada, a partir das 15:00 locais (mais uma hora em Lisboa), Filipe Cordeiro elencou "meia dúzia" de situações que disse merecerem "uma reflexão" no dia 25 de abril.

“A distribuição da riqueza, que está de uma forma extremamente desequilibrada e despudoradamente, cada vez há um número restrito de pessoas mais ricas e um número cada vez crescente de pessoas com grandes dificuldades, uma precariedade no emprego que tem aumentado consideravelmente e que, de uma forma chocante, está a mandar para o exterior do país a juventude mais preparada de sempre, que não encontra emprego em Portugal”, salientou.

Filipe Cordeiro justificou que a Associação insiste em assinalar "teimosamente" a data, alegando que “há uma geração que viveu o 25 de abril em patamares de intervenção diferenciados”, mas “que dá um valor muito significativo” à data, porque a “viveu e, de certa forma experienciou” o período anterior à revolução e o pós.

“É evidente que há que não deixar morrer esta data e não deixar morrer estes ideais que foram construídos por alguns e que teimosamente alguns também querem que eles se apaguem”, sustentou, frisando que a sociedade deve refletir sobre "um conjunto significativo de promessas, sonhos e ideais que não foram cumpridos e que há necessidade extrema de os cumprir para bem de uma população que está cada vez mais empobrecida e com dificuldades sociais tremendas", acrescentou.

Frisando que o 25 de Abril não é propriedade de ninguém, Filipe Cordeiro salientou que a revolução de 1974 "devia ser obrigatoriamente um exercício de cidadania e mais do que festejar" a efeméride "ter uma atitude cidadã ao longo de todos os dias do ano".

"Será uma luta individual e coletiva pela paz em Portugal, e particularmente no mundo, e uma nota também muito importante que é termos cada vez mais consciência de que em Portugal, e também no mundo, há uma doença a corroer as democracias e a liberdade que se chama corrupção", apontou.

Promovidas pela Associação Promotora das Comemorações do 25 de Abril de Ponta Delgada, as iniciativas que vão decorrer nas Portas da Cidade contam com o apoio do município local, Governo Regional, Juntas de Freguesia, sindicatos e cidadãos.