25 de Abril: Cavaco alerta para dúvidas sobre o futuro de Portugal

25 de Abril: Cavaco alerta para dúvidas sobre o futuro de Portugal

 

Lusa / AO online   Nacional   25 de Abr de 2010, 13:28

O Presidente da República alertou hoje para dúvidas que se acumulam quanto ao futuro do país, exortando os portugueses a acreditar em si próprios e a aproveitar as oportunidades, como o mar e as indústrias criativas.

“Deixámos o império, abraçamos a democracia, escolhemos a Europa, alcançámos a moeda única, o Euro. Mas duvidamos de nós próprios. Os portugueses perguntam-se todos os dias: para onde é que estão a conduzir o país? Em nome de quê se fazem todos estes sacrifícios?”, salientou o chefe de Estado Aníbal Cavaco Silva, num discurso na sessão solene na Assembleia da República comemorativa do 25 de abril de 1974.

A prova de que se “acumulam dúvidas quanto ao futuro do país”, frisou, está no número de jovens que parte para o estrangeiro, na maioria precisamente aqueles que são “os mais qualificados e os promissores”.

Mas, porque na maioria deles persiste o desejo de regressar, Portugal não deve desperdiçar esse “potencial”, caso contrário, o país poderá transformar-se um “país periférico”.

Por isso, exortou o chefe de Estado, “não podemos perder tempo, porque a concorrência será implacável” e, quem ficar para trás, terá de fazer um enorme esforço de recuperação.

“No mundo atual, não esperemos que os outros nos ajudem se não acreditarmos em nós próprios, se formos incapazes de fazer aquilo que nos cabe fazer”, acrescentou, sustentando que no dia de hoje se celebra a esperança dos que acreditaram, sobretudo em si próprios.

“Sem ilusões nem falsas utopias, devemos acreditar porque temos razão para isso”, enfatizou.

Na sua intervenção, que encerrou a sessão solene, o Presidente da República voltou ainda a sublinhar que é nos momentos de “grave crise”, como aquela que Portugal atravessa atualmente, que há que abrir caminhos que levem o país a novas oportunidades, como o mar e as indústrias criativas.

“Que justificação pode existir para que um país que dispõe de tão formidável recurso natural, como é o mar, não o explore em todas as suas vertentes, como o fazem os outros países costeiros da Europa?”, questionou o chefe de Estado, considerando que há que repensar a relação com o mar e apostar mais no setor dos transportes marítimos e dos portos.

“Portugal e os portugueses precisam de desígnios que lhes deem mais coesão, mais auto estima e mais propósito de existir. O mar é certamente um deles”, defendeu.

Por outro lado, continuou, Portugal deve apostar na conversão de alguns centros urbanos em “grandes pólos internacionais de criatividade e conhecimento”, como ocorreu em Barcelona, Berlim, Amesterdão e Estocolmo.

Além de Lisboa, Cavaco Silva apontou o exemplo do Porto como “uma cidade que dispõe de todas as condições para ser um pólo aglutinador de novas indústrias criativas”, nomeadamente ligadas à moda, design, cinema, teatro, informática e comunicação.

“Uma aposta forte dos poderes públicos, conjugada com a capacidade já demonstrada pela sociedade civil relativamente a projetos culturais de referência, poderão fazer do Porto e do Norte uma grande região criativa, sinónimo de talento, de excelência e de inovação”, sustentou, elogiando a capacidade empreendedora “das gentes do Norte” e do Porto, cidade onde existe “muito do melhor que Portugal fez nas últimas décadas”.

“Só falta mobilizar esforços para transformar o Porto e o Norte numa grande região europeia vocacionada para a economia criativa e fazer desse objetivo uma prioridade da agenda política”, acrescentou ainda.


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