2016 foi o ano em que o PS conquistou a quinta maioria absoluta consecutiva nos Açores

2016 foi o ano em que o PS conquistou a quinta maioria absoluta consecutiva nos Açores

 

Lusa/Açoriano Oriental   Regional   14 de Dez de 2016, 13:05

O ano político nos Açores ficou marcado por uma nova vitória do PS nas eleições legislativas regionais, com o partido a igualar o número de maiorias absolutas conquistadas pelo PSD, num sufrágio onde a abstenção também ganhou.

Sob a liderança de Vasco Cordeiro, de 43 anos - o delfim que Carlos César, ex-presidente do Governo dos Açores, conduziu à liderança do executivo regional em 2012 -, o PS somou no dia 16 de outubro a quinta maioria absoluta consecutiva, conquistando 46,43% dos votos, mas menos um deputado do que nas eleições de 2012, quando obteve 31 mandatos.

O PS foi o único partido a conseguir representação nas nove ilhas do arquipélago. O PSD, o maior partido da oposição, só não elegeu deputados no Corvo.

Na noite eleitoral, Vasco Cordeiro destacou a "grande vitória", considerando que os resultados "atestam a confiança maioritária das açorianas e dos açorianos na forma como o PS tem governado a região, exercido o poder, como um garante de governabilidade, de estabilidade".

Os sociais-democratas alcançaram 30,90% dos votos, mas também elegeram menos um deputado, tendo agora 19 mandatos no parlamento regional.

"Em democracia, quem elege mais deputados vence. O PS foi o partido mais votado no ato eleitoral e é o partido vencedor destas eleições", afirmou o líder do PSD/Açores, Duarte Freitas, numa declaração após serem conhecidos os resultados, na qual prometeu "continuar a lutar na Assembleia, no partido e na sociedade civil" com "propostas que melhorem a qualidade de vida dos açorianos".

Apesar da derrota neste ato eleitoral e noutros que o antecederam, Duarte Freitas assumiu a recandidatura à presidência do PSD/Açores nas diretas do próximo dia 19 e, se for reeleito, já confirmou que vai ser, de novo, candidato à presidência do Governo Regional no sufrágio de 2020.

O CDS-PP e Bloco de Esquerda conseguiram aumentar o número de mandatos, para quatro e dois, respetivamente, mantendo PCP e PPM o mesmo número da legislatura anterior.

Artur Lima, líder dos centristas na região, lamentou não ter conseguido evitar a maioria absoluta do PS.

Os comunistas não conseguiram ver eleito o seu líder regional, Aníbal Pires, tendo sido o círculo da Flores, o segundo mais pequeno do arquipélago depois do Corvo, a assegurar o parlamentar do PCP na Assembleia Legislativa.

Nas eleições legislativas regionais de 16 de outubro houve um outro vencedor, a abstenção, apesar dos sistemáticos apelos das forças políticas à participação eleitoral.

Dos 228.162 inscritos nos cadernos eleitorais, 59,15% não votaram. Desde as eleições regionais de 2008 que a abstenção em eleições regionais nos Açores ultrapassa os 50%, ou seja, mais de metade dos eleitores não vota.

O concelho da Lagoa, na ilha de São Miguel, foi o campeão da abstenção, com cerca de 66%.

Na noite das eleições, alguns responsáveis partidários lamentaram a diminuta participação eleitoral, como a coordenadora do BE/Açores, Zuraida Soares, para quem a "galopante" abstenção "envergonha" a democracia e a autonomia.

O líder regional dos socialistas, Vasco Cordeiro, salientou, por seu turno, que esta matéria "diz respeito a toda a sociedade, àqueles que têm uma participação política mais ativa e àqueles que não têm essa participação", mas também aos órgãos de comunicação social na forma como valorizam e tratam não apenas os atos eleitorais", mas a atividade política.

Para Vasco Cordeiro, "é mais do que tempo" para que todos cheguem à conclusão de que é "necessário refletir muito a sério sobre aquilo que se passa", mesmo tirando as questões relativas à abstenção técnica ou à inflação dos cadernos eleitorais.

Uma semana depois, o responsável do PCP nos Açores, Aníbal Pires, referiu que "a fraca participação eleitoral" reflete a "deceção dos eleitores com o sistemático incumprimento de compromissos, as campanhas e promessas demagógicas".

Mais recentemente, o PPM defendeu a criação de uma comissão eventual para a revisão da lei eleitoral, considerando existir "uma vasta conjugação de fatores que aconselham" a criar este mecanismo parlamentar, como a elevada abstenção, a "desadequação dos cadernos eleitorais" e a "previsível alteração" do equilíbrio do peso eleitoral entre os diversos círculos de ilha.

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