15 mil toneladas de tubarão pescado em Portugal num ano


 

Lusa/Ao online   Nacional   14 de Dez de 2007, 10:29

A pesca do tubarão está em expansão em Portugal, atingindo actualmente cerca de 15 mil toneladas por ano. No Algarve, onde se registou uma captura de 600 toneladas nos últimos meses, é a pesca desportiva que está na moda.
Apesar de a captura de peixes estar a decair em Portugal há mais de cinco décadas, a pesca do tubarão aumentou nos últimos anos e, segundo dados da Direcção Geral das Pescas, há registo de cerca de 15 mil toneladas de capturas em apenas um ano.

    Um investigador da Universidade do Algarve, especialista na área de biologia pesqueira, adiantou à Agência Lusa que no Algarve a pesca desportiva do tubarão "tem vindo a aumentar", tornando-se cada vez mais "um mercado importante em zonas turísticas".

    Segundo o biólogo da Universidade do Algarve Rui Coelho, uma das espécies mais capturadas é o tubarão azul, também conhecido pelo nome comum de 'tintureira' (Prionace glauca).

    "É um tubarão considerado de grande porte, podendo atingir cerca de quatro metros", explicou o investigador do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, adiantando que a maioria das vezes o tubarão azul é capturado um pouco por engano pelos pescadores que andam na faina do espadarte.

    A pesca do tubarão em Portugal é acessória e não uma pesca alvo (dirigida especialmente àquela espécie), mas quando chega à rede é comercializado de igual modo nas lotas portuguesas, à semelhança do outro pescado.

    Muitos tubarões de profundidade são também apanhados em Portugal, como a "lixa" e a "gatas" (animais pretos de olhos verdes) por pescadores que lidam com a faina do peixe-espada preto e cherne através de anzol, conta o especialista.

    No Atlântico Norte, incluindo Portugal, foram registadas em 2006 108 espécies de peixes cartilagíneos (com esqueleto cartilagíneo), entre os quais 74 tubarões, 27 raias e sete quimeras.

    Em Portugal existem espécies potencialmente perigosas para as pessoas, como o tubarão branco, o tubarão anequim e o tubarões martelo, mas não existem relatos de ataques em águas portuguesas, nem há registo de nenhuma vítima mortal, disse Rui Coelho.

    Na Europa registaram-se nos últimos 50 anos cerca de 40 ataques de tubarões, quase todos no Mar Mediterrânico, nomeadamente em França, Grécia e Itália, e o último ataque mortal foi registado em Itália, em 1989.

    Nas últimas duas décadas foi registada uma média de 60 ataques de tubarões por ano a nível mundial, que provocaram seis vítimas mortais, adiantou o especialista em biologia pesqueira.

    Três em cada quatro ataques (75 por cento), especificou, em todo o mundo ocorrem nos Estados Unidos, África do Sul, Austrália e Brasil.

    "Apesar da fama dos ataques de tubarão, a probabilidade de uma pessoa ser atacada e morta por um tubarão é realmente baixa", principalmente ser for na costa portuguesa, realça Rui Coelho.

    O tubarão é um predador de topo caracterizado por ter crescimento lento, vida longa, baixa fecundidade e mortalidade natural reduzida, uma vez que não tem predadores naturais.

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