14 detenções na operação "Noite Branca" no Porto

14 detenções na operação "Noite Branca" no Porto

 

Lusa / Ao online   Nacional   16 de Dez de 2007, 20:34

O director nacional da Polícia Judiciária (PJ), Alípio Ribeiro, confirmou oficialmente, na tarde de hoje, 14 detenções no âmbito da operação "Noite Branca", de combate à criminalidade associada à noite do Porto.
    Os 14 detidos estão indiciados por associação criminosa, homicídio voluntário, tráfico de estupefacientes, receptação e detenção de armas proibidas.

    Todos serão apresentados segunda-feira ao Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto.

    Alípio Ribeiro, que falava numa conferência de imprensa na Directoria da PJ/Porto, confirmou que foram realizadas 58 buscas domiciliárias e em estabelecimentos.

    Ladeado pelos responsáveis da PJ/Porto - Vítor Guimarães (director) e Artur Pereira (subdirector) -, Alípio Ribeiro descreveu a operação como "complexa" e disse que envolveu 202 funcionários daquela polícia, em colaboração com 60 elementos do Corpo de Intervenção da PSP, a quem coube garantir os perímetros de segurança.

    Uma juíza de instrução criminal, que emitiu os mandados, acompanhou a acção.

    A operação, garantiu, "já estava em preparação há algumas semanas".

    À margem da conferência de imprensa, uma fonte não oficial disse à Lusa que a operação "Noite Branca", desencadeada hoje pela Polícia Judiciária, surge na sequência de ordens judiciais anteriores à morte do segurança Alberto Ferreira (Berto Maluco), ocorrida a 09 de Dezembro, sublinhando assim que a operação não é uma reacção à decisão do Procurador-Geral da República (PGR), Pinto Monteiro, de atribuir a supervisão da investigação à procuradora de Lisboa.

    Na conferência de imprensa, o director da PJ escudou-se no segredo de justiça a que está vinculado para não fornecer alguns detalhes pedidos pelos jornalistas, mas negou informações não oficiais que apontavam para buscas em casas de elementos da PSP suspeitos de estarem associados à segurança na noite do Porto.

    "Não se fez nenhuma busca, nem houve qualquer intuito de as desenvolver", assegurou.

    A primeira fase da operação "Noite Branca" já terminou, mas o director nacional da PJ admitiu que possam fazer-se mais detenções e mais buscas domiciliárias relacionadas com os homicídios de três seguranças e do dono de uma discoteca.

    Alípio Ribeiro disse ainda que a operação foi "desenhada" pela Directoria da PJ/Porto.

    "Há mais de uma semana que o quadro desta operação já estava desenhado", afirmou.

    Quando perguntado se a operação teve qualquer participação da magistrada Helena Fazenda, designada quarta-feira pelo Procurador-geral Pinto Monteiro para supervisionar esta investigação, o director nacional da PJ respondeu de forma evasiva.

    "Sei que há uma magistrada do Ministério Público que foi designada para este processo", afirmou, sem fazer mais qualquer comentário a esse respeito, mesmo quando os jornalistas insistiram, procurando saber se a presente operação foi comunicada a Helena Fazenda.

    Foram apreendidos quatro veículos automóveis, um motociclo, duas armas do tipo shot-gun, uma pistola de calibre nove milímetros, um revólver e várias outras armas.

    Foi também apreendido produto estupefaciente, segundo um comunicado distribuído aos jornalistas na conferência de imprensa, mas não é avançada a quantidade.

    Fontes não oficiais estimaram que tenham sido apreendidas 50 mil doses de cocaína.

    Aparelhos de audiovisual, "que se presume serem provenientes de furto", foram igualmente apreendidos durante a operação "Noite Branca", explica o comunicado.

    À margem da conferência de imprensa, o director da PJ/Porto, Vítor Guimarães, disse que, com estas detenções, "foi desmantelado um núcleo duro de um grupo ligado à violência no Porto".

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