Jovens Agricultores defendem que aumento do leite deve incidir no preço base

Jovens Agricultores defendem que aumento do leite deve incidir no preço base

 

Lusa / AO   Regional   17 de Jul de 2007, 23:44

A Associação de Jovens Agricultores Micaelenses manifestou-se hoje contra a estratégia das indústrias de aumentos do preço do leite, alegando que o bónus à qualidade deixa de fora cerca de metade dos produtores de São Miguel.

“Os aumentos indexados à qualidade vão incidir em pouco mais de 50 por cento dos produtores e em cerca de 60 por cento do leite fornecido” às fábricas de lacticínios da ilha, alegou o presidente da AJAM.

Em conferência de imprensa, Virgílio Oliveira defendeu que os aumentos deviam, em alternativa, ser aplicados no preço base (leite padrão), a única forma de abranger todos os produtores e a totalidade do leite produzido.

Segundo explicou, os bónus para a qualidade só são atribuídos aos produtores que forneçam leite classificado nos dois escalões mais elevados, numa escala que tem nove pontos a partir do leite padrão.

Perante isso, existem sete escalões acima do leite padrão (definido dentro de normas de qualidade) que “não têm bonificação nenhuma”, alertou o dirigente associativo.

Segundo Virgílio Oliveira, só uma pequena parte dos cerca de 1.700 produtores da ilha de São Miguel podem alcançar os dois níveis mais elevados, um leite de excelência “que não está disponível a todos”, face aos investimentos necessários nas explorações.

O presidente da AJAM reconheceu, porém, que estes aumentos recentemente verificados “não deixam de constituir uma significativa melhoria no rendimento” dos produtores, mas salientou que três cêntimos por litro no preço base seria a medida “justa” a implementar neste momento.

A evolução do “preço do leite não está minimamente esgotada”, disse Virgílio Oliveira, para quem é necessário manter a “pressão constante sobre a indústria” do sector.

O presidente da AJAM defendeu, ainda, que o sector do leite nas ilhas terá de merecer uma regulamentação pública, à semelhança de outras áreas de importância para a economia dos Açores.

“Estamos convictos que tem de haver uma regulamentação pública neste sector”, afirmou Virgílio Oliveira, que considerou que o secretário regional da Agricultura “perdeu a capacidade de aglutinar” as partes envolvidas no processo.

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