100 mil portugueseses poderão ter doença celiaca, só 8 mil diagnosticados


 

Lusa/AO On Line   Nacional   27 de Nov de 2010, 09:00

Cerca de 100 mil pessoas deverão ter doença celíaca em Portugal, mas só oito mil estão diagnosticadas, segundo a associação que representa os doentes intolerantes ao glúten.

A Associação Portuguesa de Celíacos lamenta este sub diagnóstico, que em parte se deve ao preço das análises específicas para a deteção da doença e que não são comparticipadas pelo Serviço Nacional de Saúde.

“Pode pagar-se 250 euros por análises necessárias para a doença num laboratório particular e não há comparticipação. Algumas destas análises nem existem no sistema informático dos médicos de centros de saúde”, refere Marina Van Zeller, que hoje será eleita presidente da associação.

Outro dos problemas que enfrentam os celíacos é o preço dos alimentos isentos de glúten.

Um pacote de massa sem glúten pode custar quase quatro euros, enquanto uma embalagem normal pode ficar por menos de 0,70 euros.

“Há pessoas, sobretudo neste momento de crise, que estão a atravessar grandes dificuldades e para quem é difícil aceder a estes alimentos”, alerta Marina Van Zeller.

Contudo, o único tratamento para os doentes celíacos é uma dieta isenta em glúten, proteína presente em muitos cereais.

No próximo ano, as principais cadeias de hipermercados em Portugal deverão começar a produzir produtos brancos sem glúten.

“Isto vai baixar significativamente o preço dos produtos”, congratula-se a nova presidente da Associação Portuguesa de Celíacos.

Ao nível estatal as famílias podem contar com um abono suplementar de doença crónica, mas Marina Van Zeller teme que possa vir a ser cortado face ao contexto de restrição orçamental.

“Não tenho conhecimento de pais a quem este abono tenha sido retirado aos seus filhos. Mas sabemos de alguns adultos a quem já foi retirado”, conta à Lusa.

A doença celíaca pode surgir em qualquer idade, mas o normal é aparecer entre os seis e os 20 meses.

Nas crianças, os sintomas mais comuns são diarreira ou prisão de ventre crónica, vómitos ou distensão abdominal. Nos adultos, são anemia e aftas recorrentes, alterações dermatológicas e cansaço crónico.

A Associação Portuguesa de Celíacos realiza hoje, em Lisboa, um encontro em que pretende fazer uma demonstração de cozinha prática sem glúten.


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