Ordem dos Engenheiros

Bastonário defende redução do número de cursos de engenharia


 

Lusa / AO   Nacional   3 de Set de 2007, 22:25

O Bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando Santo, defendeu hoje que as 126 designações diferentes de cursos de engenharia existentes em Portugal deveriam ser uniformizadas, passando a existir apenas "entre 60 a 80 designações".
Em declarações aos jornalistas em Coimbra, onde hoje participou numa conferência internacional sobre o ensino da engenharia, Fernando Santo afirmou que existem em Portugal 314 cursos, mas há nomes que são "marketing puro".

Na sua opinião, "não vale a pena fazer marketing de cursos por nomes", lamentando que existam "cursos que têm três designações mas são um 3 em 1, para enganar as pessoas".

"Houve já uma vontade dos reitores em uniformizar as designações, que não teve apoio político. Hoje cada um cria o curso com o nome que quiser e as pessoas do mercado não sabem qual é o conteúdo correspondente à designação. É marketing puro", criticou.

Segundo o Bastonário, "como há poucos alunos e há mais oferta", assiste-se em Portugal a "uma disputa das escolas para ter alunos socorrendo-se daquilo que tiver à mão".

Neste âmbito, mostrou-se expectante em saber como o Estado implementará a futura agência de acreditação dos cursos superiores, frisando a importância de esta vir a seguir "os níveis de exigência internacionais".

Fernando Santo considera que, se assim for, "vai obrigatoriamente acabar por perceber-se que há cursos que deveriam ser fechados, não deveriam existir, porque não têm o mínimo de qualidade".

"A agência vai ter essa grande responsabilidade de assumir que aqueles cursos não estão com o nível de qualidade que deveriam ter sob padrões internacionais. Depois terá de haver uma decisão política de encerramento desses cursos, ou de algumas escolas, ou de fusão de escolas", defendeu.

Na sua opinião, este é "um problema grave" que existe em Portugal, porque se deixou, "durante muitos anos, em rota livre o ensino superior".

"Foram-se abrindo cursos em escolas por questões económicas, de negócio, de tudo e mais alguma coisa e, no fundo, a Ordem dos Engenheiros o que teve de fazer até hoje foi substituir o Estado através de um sistema de acreditação", lembrou.

Fernando Santo explicou que, de acordo com os estatutos, "a entrada na Ordem passa por um exame e esse sistema de acreditação não tem mais nenhum objectivo do que estabelecer, de forma criteriosa e pragmática, o modelo que leva a que alunos de determinados cursos possam ser dispensados deste exame".

"Estamos na expectativa de saber qual é o grau de exigência da agência. Se for o grau que nós entendemos ficamos muito satisfeitos por finalmente o Estado assumir o seu papel, se não o fizer acho que Portugal corre o risco grave de ter pessoas em exercício da profissão que não têm competências viradas para o interesse público", afirmou.

Questionou, por exemplo, como se compreende que para um curso de engenharia, "que tem como matérias base Matemática e Física, se continuem a admitir nos Politécnicos alunos sem nota mínima a Matemática".

"Para quê? Para depois as escolas terem alunos e poderem subsistir financeiramente? Isto é subverter totalmente o sistema nacional de ensino", considerou.

Para João Gabriel Silva, presidente dos conselhos directivo e executivo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, disse que ainda que o tema da educação para a engenharia pareça estável, "não o é", daí a importância do seminário internacional que hoje se iniciou, com a presença de meio milhar de cientistas, docentes e profissionais de 57 países.

"Ensinar um engenheiro há 20 ou 30 anos atrás, em que havia um determinado número de matérias estável, que a pessoa, com pequenas variações, ia seguindo ao longo da sua vida toda, é uma coisa. Como agora, em que a aplicação da maior parte das disciplinas é muito mais volátil, é uma tarefa completamente diferente", afirmou aos jornalistas.

Segundo João Gabriel Silva, o desafio é "tentar aprender como é que se ensina com eficácia a pessoas que vão ter que aprender muitas coisas diferentes ao longo da sua vida útil".
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