Nelson Évora saiu do hospital pelo seu próprio pé
Outras modalidades | 2012-01-26 20:57
O campeão olímpico do triplo salto em Pequim2008 disse à saída do hospital, apoiado em canadianas, que “Não podia estar mais satisfeito”, após horas antes ter estado na fisioterapia, na qual já se ensaia a recuperação que o poderá ajudar a voltar a ser um dos melhores atletas do Mundo.
“Correu tudo bem, a operação foi um sucesso. Saí pelo meu pé, o que mostra a evolução”, disse Nélson Évora, acrescentando: “Todo o processo foi muito bem acompanhado, fui muito bem tratado aqui, quer pelos enfermeiros quer pela equipa médica e auxiliares”.
Aparentemente, Nélson Évora, que se lesionou a 18 de janeiro, no aquecimento para uma prova, no Estádio Nacional, está a “queimar etapas” na recuperação, saindo mais cedo do que o normal - que é de cinco dias após a intervenção -, o que leva o cirurgião, Nuno Craveiro Lopes, a pensar que o “calendário de recuperação” pode ser encurtado.
“Uma cirurgia deste tipo, um encavilhamento, deita abaixo uma pessoa, mas o Nelson é um super-homem, e a sua força de vontade faz com que ao segundo dia estivesse a andar e com possibilidade de alta ao terceiro dia”, disse Nuno Craveiro Lopes, que adiantou ainda: “Não quero vaticinar nada, mas o Nelson vai dar-nos surpresas na sua recuperação funcional”.
A lesão do dia 18, com uma fratura aguda na tíbia da perna direita, foi “uma surpresa desagradável para o atleta”, mas “quem anda à chuva molha-se”.
“Ao mais alto nível, sabemos que isso pode acontecer - estamos tão próximo de performances boas como de uma lesão mais grave, como foi o meu caso”, referiu o saltador, que promete “voltar mais forte” e confiança de que a perna fique mesmo mais forte do que a que não foi operada.
Hoje, a fisioterapia foi ligeira – “alguma manipulação da tibiotársica para ver se funcionava como devido” - e “está tudo dentro do previsível”, pelo que agora é tempo de descansar e depois regressar nos próximos dias.
“Não tenho pressas para regressar à pista, o essencial é consolidar o osso da melhor forma, voltar à carga total com calma e passar por todos os processos de adaptação da perna”, disse o saltador, que se queixa pouco das dores: “muito poucas e já me passaram, estou tranquilo, nem fui muito medicado”.
Nuno Craveiro Lopes partilha o mesmo espírito positivo e crê que o saltador vai “bater” as melhores previsões de recuperação, apesar de reconhecer que se tratou de uma cirurgia “que não é habitual”, pelo conjunto de lesõs tratadas.
“Os diversos procedimentos são habituais, no conjunto é que não. Tratámos várias lesões, ele não tinha só uma fratura aguda, tinha uma fratura de stress, que estava incompletamente tratada, e cedeu. E tinha uma zona articular entre a tíbia e o perónio que estava a ser sobrecarregada, em instabilidade e a doer”, referiu.
Em qualquer uma das situações, foram “procedimentos” agressivos, com a troca da cavilha por uma outra, mais grossa, estável e bloqueada, travada com parafusos acima e abaixo da lesão e com a redução de parte do perónio.
“Depois de uma semana de repouso, para cicatrizar bem as feridas operatórias, vai passar a fazer musculação e treino de mobilização das várias articulações, treino de marcha, para ser mais autónoma e regular”, explicou.
Pela sexta semana começa o fortalecimento contra resistência, para ganhar a massa muscular que tinha anteriormente, e provavelmente à nona semana Nélson Évora já andará sem canadianas e fará “jogging”.
“Muito provavelmente, ao terceiro mês fará treino progressivamente mais pesado, até conseguir atingir a capacidade que tinha anteriormente”, disse Nuno Craveiro Lopes, que até admite que teoricamente o atleta ainda poderia, se quisesse, voltar a tempo dos Jogos Olímpicos.
“Assim sendo, sob o ponto de vista de fratura, ao terceiro mês pode fazer treino a sério”, reconhece. “Eu não quero dizer nada, mas ele pode surpreender-nos. Há sempre uma porta aberta, tudo depende da velocidade em que ele conseguir fazer a sua recuperação”.
No entanto, a ida a Londres2012 já foi liminarmente descartada tanto pelo atleta como pelo seu treinador, João Ganço, que preferem falar de um regresso “em grande” nos Mundiais de 2013, a lutar por uma medalha em Moscovo.
Lusa/Aonline
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