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Artigos de Opinião

Autor

Vingança governamental

Zuraida Soares /

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Atrevo-me a dizer que não haverá um único pescador, na nossa Região, que desconheça a existência da Estação Costeira da Associação Porto de Abrigo, em S. Miguel. Ela representa, inegavelmente, uma mais-valia para a segurança de todos aqueles que sulcam os nossos mares, seja por razões de ordem profissional, seja pelo mero prazer de navegar. Esta Estação Costeira tem prestado relevantes serviços de auxílio e socorro a todos os navegantes e, em resultado da sua pronta acção, muitas vidas têm sido subtraídas à morte, em especial, de pescadores. Para além disso – e já é muitíssimo -, qualquer comunidade se sente confortada, pelo simples facto de saber que a lonjura dos seus familiares (estejam eles em terra ou no mar) pode ser encurtada, a qualquer hora do dia ou da noite, pela partilha de boas ou de más notícias, através de um generoso serviço, capaz de fintar a distância e o degredo, durante dias e noites sem fim. Ora, esta Estação Costeira sendo, como é, um instrumento de segurança marítima e de tranquilidade colectiva, tem condições para uma maior potenciação dos serviços que presta, reclamando, por isso, uma atenção redobrada do Governo Regional. Importa lembrar que, por trás de um emaranhado de computadores, antenas e fios, que corporizam a referida Estação, existe um homem, a alma e o rosto deste verdadeiro serviço público, prestado com extrema dedicação e profissionalismo, 24 horas por dia: o Senhor Manuel Brilhante. Surpreendentemente (ou nem por isso), por via do público conflito existente, entre o Governo Regional e a Associação Porto de Abrigo, o Senhor Manuel Brilhante tem sido vítima, de forma continuada e persistente, de salários em atraso, durante um, dois, três e quatro meses seguidos. É, assim, uma espécie de castigo, pelo simples facto de estar ligado à referida associação. E, não fora o profundo sentido de responsabilidade e empenho deste profissional, ninguém terá dúvidas de que o serviço público que presta já, há muito, teria cessado. Por isso, pergunto: até quando vai o Governo Regional insistir numa atitude revanchista e de inqualificável incúria?

(Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico)