Dizem os entendidos do mundo da bola que em equipa que vence não se mexe. Acredito que assim o seja. E é seguindo a filosofia dessa crença que ouso insistir na temática do meu último escrito. Faço-o, igualmente, por ter tido da parte de vários leitores a simpatia de me terem contatado por causa do mesmo e, quiçá, igualmente tristes por não existirem mourinhos na vida política regional. Quando apelei a que os candidatos a Presidente do Governo Regional anunciassem quem seriam os seus eventuais secretários e executores da política a ser implementada, fi-lo por acreditar que um verdadeiro líder que joga claro, sem esquemas ou propósitos de esconder o que quer que seja, facilmente revele confiança no seus colaboradores, para além de, desta forma, respeitarem o povo eleitor e os difíceis tempos que virão. Seria salutar que os eleitores pudessem assistir ao debate de ideias de quem se perfila para o desempenho das várias pastas governativas. Pese embora discorde deste “modus actuandi”, compreendo que tal matéria seja tabu para quem está na luta, aceitando que os candidatos respondam não ao repto que lançamos. Já não poderemos aceitar é o triste espetáculo a que temos assistido de, vários dos candidatos usarem os cargos que exercem atualmente para, de forma desavergonhada, passarem os seus dias a tentar cativar o povo. Todos sabemos que grande parte do nosso povo possui pouca instrução, sendo que mais de 10% nem sabe ler ou escrever. O que não poderemos aceitar, é que candidatos trajados de bonitas vestimentas e devidamente protegidos por suas volumosas e pomposas barrigas, usem de tal ignorância popular, para os enganar diariamente sobre quem são, o que se encontram a fazer e o que verdadeiramente pretendem com tantas aparições. Será que não sendo seguramente a Virgem nos tomam por virgens tontos? É inaceitável e chocante que usando e desempenhando cargos públicos em nome de todos nós, tenhamos candidatos ao mais prestigiado cargo político regional, a fazer campanha política desta forma. Assim, daqui lanço o apelo a que quem concorre às próximas eleições regionais tenha a ética política de renunciar ou suspender os cargos que atualmente exerce para se dedicar de forma séria e determinada ao próximo ato eleitoral. Sinceramente, achamos que os graves tempos que correm assim o exigem. Achamos que o nosso povo e os nossos filhos assim o merecem. Achamos sobretudo que a terra de Quental o exige! Não sei se também este apelo será ignorado. Provavelmente o será. Talvez o seja por efetivamente não termos os tais mourinhos na nossa vida pública. Agora, uma coisa é certa: Aquele que o fizer dará um exemplo de exercício da atividade política com a ética que se lhe exige.


