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Só nos saem duques!

Zuraida Soares /

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O professor catedrático e director do ISEG, João Duque, foi alçado à categoria de economista do regime, passando a ser presença quase diária nos canais privados de televisão, porque dá imenso jeito – conhecidas que são as suas opiniões ultraliberais, em questões de economia e gestão. Vai daí, o governo PSD/CDS resolveu pôr a render estas públicas opções ideológicas. E foi assim que o Duque foi empossado como Coordenador do Grupo de Trabalho para a definição do conceito e serviço público de comunicação social, no nosso País. Mesmo tendo em conta estes antecedentes muito pouco aconselháveis, foi com espanto e indignação que tomámos conhecimento das solenes conclusões deste grupo de trabalho, entre as quais: a informação emitida pela RTP Internacional deve ser “filtrada” e “trabalhada” pelo governo, sem direito a questionamento; no canal de serviço público que restar depois da prometida privatização, a informação deve ser reduzida ao mínimo; os debates televisivos devem acabar. Ou seja: para dentro, um canal de informação silenciado; para fora, um instrumento de propaganda governamental. Eis o destino traçado para a RTP e RDP. Pelo meio, sem nenhum tipo de justificação, este grupo de trabalho defendeu, na prática, o fim da RTP/Açores por ter esgotado a sua missão histórica. E o Duque ficou tão contente com estas ideias ‘subversivas’ que as considerou “A bem da Nação!”, recuperando a fórmula obrigatória com que terminavam os ofícios, nos tempos da ditadura salazarista. Mas o Duque é impagável. Em Novembro passado, aceitou e, logo de seguida, declinou, o convite feito pela nossa Assembleia Legislativa para, de viva voz, justificar tamanha desfaçatez, sob o pretexto de já não ser coordenador de coisa nenhuma. No entanto, já este mês, aceitou com “ alegria” deslocar-se à Assembleia da República, enquanto coordenador, ainda em exercício, de um grupo de trabalho que fingiu ter concluído aquilo que o ministro Miguel Relvas tinha, com alguma antecedência, apresentado como decisões inapeláveis. Responsabilidade, seriedade intelectual, ética e o respeito devido pela nossa Autonomia são ‘nobres’ valores que os ‘duques’ deste País não subscrevem!