Gosto de José Mourinho. Gosto da forma como revela confiança nas suas equipas. Gosto da forma como Mourinho responde com convicção e segurança ao que fez e, sobretudo, ao que pretende fazer. É um verdadeiro líder que joga claro, sem esquemas ou propósitos de esconder a tudo e a todos os seus planos ou a sua estratégia. Gosto acima de tudo quando diz antes dos jogos quem serão os jogadores que entrarão em cena na defesa do emblema que representam. Não gosto que na nossa vida política não existam Mourinhos. Não gosto que na nossa actualidade política tudo se esconda. Entristece-me que os nossos intervenientes públicos não façam ao menos um esforço de seguir o que de bom Mourinho tem revelado. Quando Mourinho afirma com antecedência a identidade dos jogadores que jogarão transmite uma inteira segurança nas suas opções, para além de demonstrar respeito para com os associados do seu clube. Quando os nossos políticos escondem em quem apostarão para o exercício do Ministério x ou da secretaria y revelam precisamente o contrário. Caro leitor: De acordo com o nosso sistema de governo acha correcto que se vote nas listas de candidatos que os partidos apresentam e depois, aquele que vence até vai buscar para o exercício de funções governativas quem das mesmas não conste? Não seria importante que os candidatos a exercerem funções governativas por exemplo em 2012, anunciassem ao eleitorado quem serão os principais responsáveis governativos do seu governo caso vençam? Não seria interessante que os eleitores pudessem assistir nos meses que virão ao debate de ideias de quem se perfila para o desempenho da várias pastas governativas? Será que a opção de voto num ou noutro candidato que representam os principais partidos se afigura de per si suficiente para uma decisão esclarecedora? Não seria a forma mais clara e até séria de se demonstrar quem efectivamente renova? É óbvio que a todas estas questões inúmeras respostas poderão ser dadas. Mas sobretudo a classe política facilmente encontrará argumentos para responder não. Ou dirão que o nosso sistema de governo implica que se vote em listas, ou dirão que os programas eleitorais é que vinculam o que os partidos se propõem fazer.... Enfim, tudo se dirá para que de tudo se fale mas nada se diga. Lanço aqui o repto a que os dois candidatos dos principais partidos avancem com a identidade daqueles que irão desempenhar as principais pastas governativas. Será uma forma de se ouvir da boca dos próprios o que se propõem fazer e como o executarão. Será uma forma de conceder instrumentos para que o eleitor decida de uma forma mais esclarecida. Será sobretudo uma demonstração de confiança nas respectivas equipas. Será uma forma de acreditarmos que já se pensa e se prepara o futuro destas ilhas num espírito de equipa. Será por fim um sinal à grande ânsia de renovação por que o povo anseia. Se algum dos candidatos o anunciar demonstrará confiança no seu projecto e na capacidade de quem o executará. Demonstrará que irá à “luta” com convicção e sem silêncios que se querem ultrapassados. Caro leitor: Será que teremos um “Mourinho” na vida política açoriana?


